Categoria: arte

Kollwitz não é só uma praça com feirinha aos domingos

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Em 2012, um amigo que já tinha ouvido minhas histórias de Berlim milhares de vezes me disse que estava rolando uma peça no MIS que eu iria adorar,a Kollwitzstraße 52.
Pra variar, fiquei enrolando para ir e acabei perdendo. Mas desde então psicopatizei com a tal Kollwitzstraße e, assim que cheguei em Berlim, fui correndo ver o que tinha de tão interessante por ali.

A Kollwitzplatz é uma pracinha na região de Prenzlauer Berg, aquele bairro que todo turista acha uma graça (eu, inclusive) mas que os jovens berlinenses adoram odiar. É uma das áreas mais antigas da cidade e a que menos sofreu com os bombardeios da 2a Guerra. Já foi um bairro de operários, artistas, fez parte da Alemanha Oriental e tem muita história pra contar. Claro que não demorou muito para todo mundo querer morar lá, os preços aumentarem, as baladas fecharam e toda aquela história de gentrificação que a gente vê diariamente nas grandes metrópoles. O bairro também é conhecido por ter a maior quantidade de carrinhos de bebê por metro quadrado da cidade.

O que poucos turistas sabem é que o nome Kollwitz é uma homenagem a uma das artistas gráficas (e ilustradora e escultura e mulher) mais incríveis da Alemanha, Käthe Kollwitz, que morou ali na esquina da Knaackstraße entre 1891 e 1943.

Apesar de ter nascido em uma família rica, Käthe se identificava com o Movimento Operário e usava sua arte (principalmente em xilogravuras) para retratar a situação social da Alemanha na época. Foi com a série A Revolta dos Tecelões (Werbezug)  que a artista começou a ganhar reconhecimento.

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Kollwitz continuou sua carreira registrando e participando de movimentos anti-guerra, lutando contra a pobreza e a fome, e simpatizando com o Comunismo. Além do ativismo, ela também ficou conhecida por suas declarações controversas: odiava grandes museus (te entendo, kat) e dizia que a bissexualidade era algo praticamente necessário se você quisesse ter uma produção artística. Isso no comecinho de 1900, tá? O diário que ela escreveu durante 45 anos já virou livro e deve ser incrível!

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Como esperado, suas atitudes revolucionárias não agradaram muito o regime Nazi. Seu marido foi proibido de trabalhar como médico e Käthe perdeu seu posto de professora na Universidade de Artes de Berlim. Em 1935 ela começou sua última série de gravuras, intitulada Morte (Tod).

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Se interessou? Esse site conta toda a história da artista. Mas se você não tá nem aí pra história ou para arte, na pracinha também rola aos finais de semana um Bio Markt e uma feirinha de antiguidades, daquelas com preços meio-absurdos-pega-turista, tipo Benedito Calixto.